Ao contrário do que se julga, quem dá as notícias nem sempre é bruto, insensível e «só quer audiências». Simplesmente não sabe muitas vezes como passar mesmo a notícia. há dois caminhos fáceis: opinião, sobretudo se for mecânica (há cronistas que já se indignam em automático) ou reproduzir o telex, dar destaque se for acidente ou visita do rei, capa inteira se for possível gravidez da princesa, e assim por diante. O difícil, muitas vezes, é encontrar o ângulo humano. «Ângulo humano» que na verdade são dois: a) o lado que apela à humanidade inteira; b) o que apela ao nosso bairrismo. Por isso, nem sempre critiquemos as notícias que dizem: «Caiu avião com 147 pessoas algures em cascos de rolha. Até ao momento ainda não sabemos se havia portugueses [a.k.a. ângulo humanozinho] a bordo.» A ONU encontrou ontem um ângulo humano. E a imprensa pôde respirar de alívio, porque não gosta de sentir desumana. Ler o artigo do DN com o bonito título de «No avião que caiu na Etiópi...